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Foto: Tania Van den Berghen | Pixabay.

A demência é uma doença associada com o avanço da idade. Considerando o envelhecimento da população mundial ela vai se tornar cada vez mais presente, estimando-se que o número de idosos acometidos por esta doença dobre a cada 20 anos, chegando a 115,4 milhões casos no mundo em 2050. (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2012)

“A demência é um declínio intelectual global, de gravidade suficiente para comprometer o aspecto social e/ou ocupacional, que ocorre em um estado de consciência normal.” (RABINS, LYKETSOS, STEELE, 2006 apud STEELE, 2011) Em outras palavras, o processo demencial atinge todos os aspectos da cognição (não somente a memória, mas também – em maior ou menor grau – a argumentação, compreensão de informações, coordenação motora, planejamento e tomada de decisões), com gravidade suficiente para atrapalhar tarefas rotineiras, descartando-se a existência de outros fatores que poderiam afetar a consciência (sono, efeito de álcool ou medicamentos, intoxicação, etc.).

A Doença de Alzheimer não é a única causa de demência, mas é a mais prevalente, sendo responsável por 75% dos casos (três a cada quatro). Além do Alzheimer, as outras doenças mais incidentes que podem levar a demência são: Demência com Corpos de Lewy (inclui Doença de Parkinson), Demência Vascular e Demência Frontotemporal. (STEELE, 2011; BUDSON; SOLOMON, 2018)

Apesar de não haver cura para o Mal de Alzheimer e outras doenças demenciais, o diagnóstico correto e tratamento adequado são importantes: primeiramente porque desaceleram o processo de perda de memória, permitindo o prolongamento de uma certa autonomia para o idoso; em segundo lugar, proporcionando autonomia por mais tempo garante-se também a extensão dessa qualidade de vida aos familiares; em terceiro lugar, o início do tratamento ainda nas primeiras fases da doença diminuem custos futuros com hospitalizações, polimedicação (uso concomitante de várias medicações), adaptação do ambiente doméstico, cuidadores ou institucionalização; por último, o diagnóstico permite o planejamento do futuro, de modo que os familiares podem organizar-se para futuras despesas, organização do cuidado, e questões legais, como procurações ou interdições para a gestão dos serviços de banco, pagamentos de contas, etc. (BUDSON; SOLOMON, 2018)

O diagnóstico deve ser realizado por um profissional médico, o qual avaliará e descartará outras possíveis causas para os sintomas, como a existência de transtorno psiquiátricos, tumores, intoxicação, entre outras (STEELE, 2011). Além do tratamento medicamentoso, o idoso e familiares necessitarão de orientação de uma equipe multidisciplinar para diversos níveis do cuidado e tratamento. Estudos apontam que a intervenção coordenada de uma equipe multiprofissional apresenta resultados positivos tanto para o idoso quanto para os cuidadores, diminuindo níveis de ansiedade estresse, incidência de depressão, diminuição da carga de trabalho do cuidador, melhora de sintomas neuropsiquiátricos (cognição, agitação), manutenção da autonomia e qualidade de vida por mais tempo. (MADUREIRA et al., 2018)

 

REFERÊNCIAS:

BUDSON, Andrew E. SOLOMON, Paul R. Perda de Memória, Doença de Alzheimer e Demência: guia prático para clínicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.

MADUREIRA, Bruna Guimarães. PEREIRA, Maria Geralda. AVELINO, Patrick Roberto. COSTA, Henrique Silveira. MENEZES, Kênia Kiefer Parreiras de. Efeitos de programas de reabilitação multidisciplinar no tratamento de pacientes com doença de Alzheimer: uma revisão sistemática. Cadernos Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 2, p. 222-232, 2018.

STEELE, Cynthia D. Nurse to nurse: cuidados na demência em enfermagem. Porto Alegre: Artmed McGraw Hill, 2011.

WORLD HELTH ORGANIZATION. Dementia: a public health priority. Geneva: WHO, 2012.